O amor deve ser dado igualmente para todos..
A verdadeira afeição, o padrão reto é o amor que é desapegado, pelo fato de ter apego a todas as coisas.
O verdadeiro amor é semelhante à flor, que dá perfume a todo transeunte e não cuida de quem recebe a sua deliciosa fragrância.
Não há amor, quando há apenas a própria satisfação, ainda que seja mútua. Não há amor, quando há restrição; não há amor, quando apenas se trata de um meio para atingir a um fim; quando há apenas sensação.
Na flama do amor todo medo é consumido.
A alma é uma divisão nascida da ilusão.
[ Jiddu Krishnamurti ]
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Infeliz Felicidade
A felicidade não é feliz.
Deve estar cansada
De tanto tentar agradar a todos.
[ RODRIGO ROTT ]
A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.
Perdoai,mas eu preciso ser OUTROS.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.
Perdoai,mas eu preciso ser OUTROS.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.
[ Manoel de Barros ]
UTOPIA
Viajante criatura das idéias, me identifiquei com a ilusão do teu ser.
Constatação sem vínculo e nem importância de ambos os lados.
Orgulho reprimido com a vontade de buscar a idéia.
Contraditório mundo dos sentidos.
Estranho mundo novo.
Tudo junto e separado,misturado,apagado.
Ilusão da ótica humana.
Difícil definição do mundo.
Estranhamento oculto.
Desabafo.
Revelação intrigante do teu enigma.
Segredo oposto.
Convencimento de um paradigma.
Humano paradoxo.
[ Rafaela R. ]
sábado, 4 de fevereiro de 2012
O mundo avança. É verdade, disse eu, avança, mas dando voltas em torno do sol. (...) Os adolescentes da minha geração, alvoraçados pela vida, esqueceram em corpo e alma as ilusões do futuro, até que a realidade lhes ensinou que o futuro não era como o sonhavam, e descobriram a nostalgia. Ali estavam as minhas crónicas dominicais, como uma relíquia arqueológica entre os escombros do passado, e aperceberam-se que não eram só para velhos mas também para jovens que não tivessem medo de envelhecer.
[ Gabriel García Marquez, em 'Memória das Minhas Putas Tristes ]
[ Gabriel García Marquez, em 'Memória das Minhas Putas Tristes ]
A Barba
"...Não se conhece bem um homem que nunca deixou a barba crescer. Digo isto sem preconceitos, porque não mais pertenço a confraria dos barbados. Mas estou convencido de que se conhece mal um homem que nunca deixou irromper na floresta de seu rosto, o outro, o selvagem, o agente adormecido, o hirsuto... Há mulheres que, tendo conhecido a sabedoria erótica da barba nos lençois do dia, nunca mais se contentarão com a banalidade barbeada de outros amores... Indizível prazer é esse de confiar a barba. Inconsciente. Ritualisticamente. Enquanto se lê, enquanto se aguarda o outro dizer uma frase estúrdia, enquanto se toma um vinho ou se afaga o cão junto a lareira, e fechando, bem dizia Walmor Chagas outra noite num jantar quando se discutia a metafísica da barba: a barba é uma mascara como no teatro; é outro em nós, um modo de o personagem se experimentar em cena..."
Trecho extraído do livro Que presente te dar - Affonso Romano de Sant'ana.
Trecho extraído do livro Que presente te dar - Affonso Romano de Sant'ana.
Grande NERUDA!
Quero saber se você vem comigo
a não andar e não falar,
quero saber se ao fim alcançaremos
a incomunicação; por fim
ir com alguém a ver o ar puro,
a luz listrada do mar de cada dia
ou um objeto terrestre
e não ter nada que trocar
por fim, não introduzir mercadorias
como o faziam os colonizadores
trocando baralhinhos por silêncio.
Pago eu aqui por teu silêncio.
De acordo, eu te dou o meu
com uma condição: não nos compreender.
Pablo Neruda (Últimos Sonetos)
a não andar e não falar,
quero saber se ao fim alcançaremos
a incomunicação; por fim
ir com alguém a ver o ar puro,
a luz listrada do mar de cada dia
ou um objeto terrestre
e não ter nada que trocar
por fim, não introduzir mercadorias
como o faziam os colonizadores
trocando baralhinhos por silêncio.
Pago eu aqui por teu silêncio.
De acordo, eu te dou o meu
com uma condição: não nos compreender.
Pablo Neruda (Últimos Sonetos)
Boca: nunca te beijarei.
Boca de outra que ris de mim,
no milímetro que nos separa,
cabem todos os abismos.
Boca: se meu desejo
é impotente para fechar-te,
bem sabes disto, zombas
de minha raiva inútil.
Boca amarga pois impossível,
doce boca (não provarei),
ris sem beijo para mim,
beijas outra com seriedade.
Boca de outra que ris de mim,
no milímetro que nos separa,
cabem todos os abismos.
Boca: se meu desejo
é impotente para fechar-te,
bem sabes disto, zombas
de minha raiva inútil.
Boca amarga pois impossível,
doce boca (não provarei),
ris sem beijo para mim,
beijas outra com seriedade.
[ Carlos Drummond de Andrade ]
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Grande criatura do mundo das letras!
A maior parte do tempo o mundo desperdiça dormindo. A maior parte do espaço também.
Apenas de vez em quando,ele esfrega os olhos e desperta para a consciência de si mesmo.
- Quem sou eu? - indaga o mundo.
- De onde venho?
Por alguns segundos,o pássaro raro pousou em nosso ombro.
[ O Pássaro Raro - Jostein Gaarder ]
Apenas de vez em quando,ele esfrega os olhos e desperta para a consciência de si mesmo.
- Quem sou eu? - indaga o mundo.
- De onde venho?
Por alguns segundos,o pássaro raro pousou em nosso ombro.
[ O Pássaro Raro - Jostein Gaarder ]
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